
Não sou religiosa, tem dias que acredito em alguma coisa, na maioria dos outros não, mas tenho claro pra mim que a maioria dos jovens hoje em dia são tolerantes e entendem que muitos aspectos religiosos são atrasados e não são parte de nossa realidade, como por exemplo a visão do sexo como pecado. E eu tinha que me apaixonar logo por quem ainda pensa como se tivesse na Idade Média.
O negócio é assim: me apaixonei e me apaguei pela versão masculina da famosa "Carola". Como boa pessoa que sou (e teimosa, claro), respeitei sua religião e isso não nos impediu de estar juntos. Mas nunca pensei que teria uma vida sexual tão deprimente porque um dia alguém decidiu que dar e comer era pecado.
Eu era virgem mas tava ali, de mão beijada, doida pra terminar com esse perrengue. E fui toda fofa, minha familia viajou, tínhamos a casa toda para nós, a pegação tava num nivel bizarro, os dois querendo. Então fiz aquilo que nós mulheres achamos lindo: enchi de velas, com um vinho, frios, musiquinha ambiente... e rolou. Meio estranho, ele frio e tal, mas relaxei porque sempre escutei que a primeira vez era uma merda. Preciso explicar que era a primeira vez dos dois?
No dia seguinte, óbvio que eu queria mais. Afinal, não dei só pra saber como era, acho que está claro que vamos fazer mais vezes, não? E aí veio o problema: ele estava em crise porque era errado, porque foi SE CONFESSAR e o padre disse que ele pecou. Erro básico da minha parte: dei no sábado, sabendo que todo domingo de manhã ele ia pra missa. Ou seja, a primeira pessoa que ele contou -enquanto eu liguei pra todas as minhas amigas- foi o PADRE!
Puta que pariu, só comigo! Imagina só: você toda apaixonada, resolve "é com ele!", vai lá, rola, e o cara te trata mal porque é pecado!! E pior, me culpou porque EU o fiz pecar!
O que nós fizemos está errado, vai contra as regras de Deus, por que você me fez aceitar isso?
Tipo, pus uma arma na cabeça dele, mandei ele ficar de pau duro, ele obedeceu, e o ataquei. Sou foda, mesmo.
Repito que respeito que a pessoa tenha sua religião. Meu atual companheiro vai à missa, isso é problema dele, não faz a menor diferença no nosso relacionamento, porque ele não é um fanático religioso. Agora me diz quem merece ser comida (e se é pra ser sincera, mal comida) e depois ver o namorado sair pra se confessar e pedir perdão pro padre?
Aí depois do fim do fim do namoro, o que aconteceu? Virei praticamente uma puta, claro. Dava sem pensar direito, tudo porque queria tirar aquele sentimento de "sexo" puro de dentro de mim... digamos que por muitos meses eu não queria sexo, queria fuder, coisa bem sem sentimentos, mesmo. Se hoje eu fosse a puta do bairro, a culpa seria desse trauma, claro.
E aí eu faço minha mea culpa: por que eu aguentei mais 2 ANOS de relacionamento nessas condições? Sou a personificação do ditado: "Nem Freud explica"...
Seguindo a lógica, eu devo mesmo ter jogado pedra na cruz...